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Já dei meu telefone a um taxista.
Ele não me levou a lugar algum.
Na verdade, eu sequer estava dentro do táxi.

Avenida Rebouças, sempre travada. Uma dessas paqueras descompromissadas de trânsito. Em direção à Praça Roosevelt, 15  minutos pra começar a peça. Dois amigos num carro ao lado, vidros abaixados pra trocar acenos e falar do caminho.  No meio dos olhares jogados, um intruso! Jogos de espelho, retrovisores, sinais vermelhos, sorrisos de canto de boca e uma embicada de carro.

 – Oi, tudo bem? Indo aonde?

O semáforo já no verde, repeti o número duas vezes <ginástica labial> e acelerei o carro. Ele virou na Paulista; eu segui a Consolação, me sentindo a pessoa mais maluca que já exisitiu. De fato maluca, já que fiquei realmente esperando a ligação.

Balanço da noite? Pelo menos cheguei a tempo pro teatro, a última montagem do Galharufa. Aparentemente o elenco atrasou também. Provável que tenha sido o trânsito. É sempre uma boa desculpa nesta cidade.

Ah! e a peça… Óbvio que tratava de uma desilusão amorosa.

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