Agora que a rixa com as Sachas foi superada, lembro que o que eu queria mesmo encontrar ao abrir aquele livro do Bandeira era um simples poema sobre – veja só – a falta de querer.

Não lembro o título, nem lembro a obra. É que hoje me sentia tão sem vontades que me veio essa necessidade doída de camuflar o vazio em desapego, sabe? Aí que, sem querer, subiram à cabeça os tais versos nublados, suplicantes de um refresco para  a memória.

Fato é que na busca do poema, fiquei só na vontade. Mas encontrei outros velhos quereres. Queria perguntar ao Bandeira sobre seu porquinho-da-índia. Estaria ainda debaixo do fogão? Pra ser simpática, poderia contar-lhe que também não tenho ninguém para oferecer minhas ternurinhas.

Queria enfim lhe dizer que não estou interessada em orvalhos. Quero sentir apenas o desquerer delicado da sua poesia. E, se não fosse pedir demais, quereria saber escrever do seu jeito pequenininho e doce que faz a gente  ler sem parar, igual se come aqueles amendoins coletivos, no bar.

Sei que poesia é também orvalho. 

Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas, as virgens cem por cento e as amadas que envelheceram sem maldade.

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