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Ontem achei duas rugas debaixo do olho. Pegas no flagra, elas olharam para mim como se sempre tivessem estado ali.

<A campanha de publicidade da multinacional me diz que sou mais bonita do que penso. Mas o catálogo conta que posso usar o creme anti-age high tech supra sumo da indústria cosmética a partir dos 25. Faltam só uns 40 dias – acho que vou esperar.>

Não sei lidar com a velhice. Ou não vou saber, quando chegar a hora (e como saber quando for?) Deve ser um problema de filha caçula, prima caçula, neta caçula já sem avós. A “raspa de tacho”, como todo mundo me dizia. Eu achava que aquilo devia ser um insulto, um palavrão… como tinham coragem de falar assim, na minha cara?

De qualquer forma, coincidência ou não, ontem também revi essas fotos que eu gosto tanto. Eu tinha que fazer retratos e acabei neste abrigo de idosos ao lado da Cracolândia. Bobagem dizer que há beleza na velhice. Afinal há beleza em qualquer idade, em qualquer pessoa. Mas aposto que existe alguma certeza que só chega nessa parte da vida. Será que a gente finalmente se acostuma a ser quem é, como se – dia após dia – acumulasse pedacinhos de nós mesmos?

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