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Acho um desserviço quando aquelas pessoas ricas/lindas/bem sucedidas dão entrevistas e contam como sempre quiseram ser médicos/atores/astros do rock, desde pequenininhos. Morro de inveja. Não exatamente pelo sucesso, mas por essa certeza toda cheia de si. Já quis tantas coisas desde que começou aquela história de “o que você quer ser quando crescer”, que nem me lembro mais. Ainda agora, crescida tanto quanto poderia, continuo a querer e desquerer tudo, oito vezes por minuto.

Indecisão é uma coisa linda na poesia, mas acaba com a vida da gente…

E por falar em poesia, achei aquele poema do Manuel Bandeira que estava procurando um tempão atrás: o Belo belo.

Fico pensando que talvez a tuberculose tenha sido a melhor carta de alforria que o Bandeira poderia ter. Uma carta branca, pra ser o que quisesse ser. Depois do diagnóstico, largou a Politécnica e foi buscar tratamento, respirar melhores ares. E, como morrer de fome já não era a primeira preocupação, virou poeta.

Belo belo belo, 
Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo – que foi? passou – de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.

– Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

– Bandeira, quero absolutamente tudo, inclusive as coisas mais simples.

(a foto lá de cima é uma antiga, do Flickr)

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